A Ministra demasiado académica
A demissão da Ministra da Administração Interna, ocorrida no passado dia 10 de fevereiro, foi o culminar da grande pressão política que sobre ela faziam, tanto os partidos como a comunicação social.
Maria Lúcia da
Conceição Abrantes Amaral, nascida em Huambo, Angola (antiga Nova Lisboa) a 10
de junho de 1957) é uma excelente jurista, professora e magistrada portuguesa, ex-Vice-Presidente
do Tribunal Constitucional, Professora Catedrática da Faculdade de Direito da
Universidade Nova de Lisboa e anterior Provedora de Justiça. Foi, por
inerência, Conselheira de Estado desde 2018.
Desempenhava as
funções de Ministra da Administração Interna do XXV Governo Constitucional
desde 5 de junho de 2025 e, praticamente desde essa data, tornou-se alvo de
censuras da sociedade civil pela forma como (não) comunicava.
A incapacidade de comunicar de forma eficaz com as populações afetadas por desastres naturais gerou um sentimento de abandono.
O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apontou publicamente um "problema de comunicação" na gestão governamental durante a crise das tempestades. Antigos governantes, comentadores e partidos da oposição, criticaram-na por ter falta de pulso político para lidar com crises mediáticas e falta de competência executiva para o cargo. Foi descrita como uma "distinta jurista sem competências para ministra".
Sendo uma jurista
de renome Maria Lúcia Amaral foi vista por muitos como um "erro de
casting" para uma pasta tão quente e operacional como a Administração
Interna.
A relação com as forças policiais foi tensa desde o início, especialmente devido às negociações salariais e de carreira. Atrasos nas negociações, falta de autonomia política para decidir sobre retroativos salariais e uma postura considerada "distante" dos problemas operacionais dos agentes.
Depois chega a tempestade
Kristin e isto foi a "gota de água". A ministra foi acusada de passividade
e falta de presença no terreno durante a passagem da depressão, que causou graves
danos em várias regiões do país. Demorou tempo em reagir publicamente (apareceu
apenas 48 horas após o pico da crise) e teve falhas graves na coordenação da
Proteção Civil.
Ao coro de críticas
de comentadores políticos e dos partidos da oposição, juntou-se o ex-candidato
a presidente Almirante Gouveia e Melo que, num artigo no jornal Público, disse que
a gestão da crise foi deficiente, sugerindo mesmo que a Ministra devia
demitir-se.
Após a sua demissão
os sindicatos da PSP e associações da GNR descreveram a sua saída como uma "inevitabilidade oportuna" e
lamentaram que tenha sido tardia.
Assim, Maria Lúcia
Amaral saiu sob o peso de ser considerada "demasiado académica" para
um ministério que exige rapidez de decisão e uma gestão de conflitos muito
agressiva com sindicatos e emergências.
Paulo Oliveira Vieira
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