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Como se atravessa uma passadeira de peões?

Quando era miúdo, aprendi a atravessar rua levado pela mão de um dos meus pais.  Aprendi nunca atravessar a rua sem antes olhar para ambos lados a ver se não vinha lá um carro a acelerar a 50 km por hora. Sim, porque nos anos 60 do século passado poucos carros andavam na cidade a mais que essa velocidade, que era a máxima permitida então. Aprendi também que uma pancada de um carro parte pernas, e não são as pernas que partem os carros. Aprendi mais ainda, que os carros não sofriam se nos dessem uma pancada nas pernas, mesmo que estivéssemos em cima de uma passadeira. Duas gerações depois, não só as pessoas da minha geração esqueceram de como ensinar os filhos a atravessar uma rua, como eles próprios se esqueceram de como se atravessa, estejam ou não numa passadeira. O resultado é que os jovens de hoje não sabem atravessar uma passadeira. As passadeiras não são um prolongamento da calçada. A calçada é para os peões, a rua para os carros. Por isso ao atravessar a rua o peão s...

A Ministra demasiado académica

A demissão da Ministra da Administração Interna, ocorrida no passado dia 10 de fevereiro, foi o culminar da grande pressão política que sobre ela faziam, tanto os partidos como a comunicação social. Maria Lúcia da Conceição Abrantes Amaral, nascida em Huambo, Angola (antiga Nova Lisboa) a 10 de junho de 1957) é uma excelente jurista, professora e magistrada portuguesa, ex-Vice-Presidente do Tribunal Constitucional, Professora Catedrática da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e anterior Provedora de Justiça. Foi, por inerência, Conselheira de Estado desde 2018. Desempenhava as funções de Ministra da Administração Interna do XXV Governo Constitucional desde 5 de junho de 2025 e, praticamente desde essa data, tornou-se alvo de censuras da sociedade civil pela forma como (não) comunicava. A incapacidade de comunicar de forma eficaz com as populações afetadas por desastres naturais gerou um sentimento de abandono.  O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo...

Quem serão os Conselheiros de Estado de Seguro

Esta vitória histórica de António José Seguro marca o início de um novo ciclo em Belém. A escolha dos cinco nomes que o Presidente da República pode designar pessoalmente para o Conselho de Estado é um dos primeiros sinais políticos do seu mandato. Olhando para o perfil institucional, moderado e focado na ética que Seguro manteve durante a campanha, pode-se antecipar algumas direções: António José Seguro sempre valorizou a "separação de poderes" e o mérito académico/institucional. É provável que evite "comissários políticos" e aposte em figuras Académicas e de Direito assim com figuras das artes ou ciência, que tragam uma aura de "presidência de todos", como escritores ou cientistas de prestígio internacional. Depois tem os membros por inerência que são automáticos. Estes lugares já estão definidos pelos cargos que ocupam ou ocuparam antes. - Marcelo Rebelo de Sousa passa a ser conselheiro de Estado vitalício como antigo Presidente. - António Ramalho Eanes...